
Neste estudo, o Senhor Jesus responde à pergunta de Pedro sobre quantas vezes deveríamos perdoar — não até sete, mas “até setenta vezes sete” (Mateus 18:22) — e conta a parábola do credor incompassivo. Um rei resolveu fazer contas com seus servos e apresentou-lhe um que lhe devia dez mil talentos, dívida impagável que representava mais de mil anos de trabalho naquela época. Movido de íntima compaixão, o senhor soltou o servo, perdoou-lhe toda a dívida e não o vendeu com sua mulher e filhos. Essa situação representa perfeitamente a nossa condição espiritual diante de Deus antes da conversão: como pobres pecadores, também tínhamos uma dívida impagável, pois “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23) e a redenção da alma é caríssima.
Nem boas obras, nem o cumprimento de leis, nem ouro ou prata poderiam pagar essa dívida — só o Senhor Jesus, ao dizer “Está consumado”, que no grego é “Tetelestai” e significa “está pago, está liquidado”. Fomos perdoados pelo Seu sangue derramado na cruz do Calvário. Mas a parábola prossegue: aquele servo que teve a dívida perdoada encontrou um companheiro que lhe devia uma quantia insignificante e não quis perdoá-lo, sufocando-o e lançando-o na prisão. O texto ressalta que não foi dito que ele não podia perdoar, mas que ele não queria — advertência para quando dizemos “isso eu não posso perdoar”. A Palavra nos garante: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13); se quisermos, seremos capacitados a perdoar pelo poder do Espírito Santo.
Ao ver o que acontecia, os conservos entristeceram-se muito e foram contar ao senhor — e a igreja também se entristece quando alguém não perdoa o seu próximo, pois o padrão que aprendemos com Jesus é a misericórdia. O rei, indignado, entregou o servo aos atormentadores, e Jesus conclui: “Assim vos fará também meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um, a seu irmão, as suas ofensas” (Mateus 18:35). O convite é perdoar “do coração”, pois o perdão nem sempre se justifica pela razão humana, mas o amor de Deus nos move a perdoar como um dia fomos perdoados. O Senhor nos deixou o exemplo na cruz — “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34) — e seus discípulos o seguiram, como Estêvão ao orar por seus algozes.
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